Gutenberg vem aí! Saiba tudo sobre o novo editor do WordPress

A versão 5.0 do WordPress está saindo do forno, e junto com ela está vindo um novo editor padrão para a criação de Páginas e Posts chamada Gutenberg. Este novo editor de texto do WP promete dar uma reviravolta no unievrso WP, desde a publicação até a criação de plugins e temas.

O que é Gutenberg?

Oficina de impressão e encadernamento da época de Gutenberg
Ofincina de impressão com tipos móveis

Gutenberg é, resumidamente, o novo editor de texto do WordPress. É também a maior mudança na história do WP.

Na vida real Gutenberg foi um joalheiro da Mogúncia, região que hoje faz parte da Alemanha. Foi ele que inventou um sistema de tipos móveis para a impressão que revolucionou a história da humanidade. Sua invenção abriu caminho à Renascença e à Revolução Científica com a disseminação da aprendizagem e conhecimento.

Curiosidade: tipos móveis é movable types em inglês, o nome de um CMS, concorrente do WordPress.

A escolha do nome para o plugin mostra que essa é uma ferramenta que pretende revolucionar todo o ecossistema WordPress. E trata-se realmente de uma revolução, comparando-se com a maneira antiga de se criar Posts e Páginas.

Curiosidade nº 2: a obra mais famosa de Gutenberg, a Bíblia de 42 linhas, é considerado o marco zero da produção em massa de livros, que deixaram de ser escritos à mão para serem impressos. Nossa Biblioteca Nacional possui dois exemplares, trazidos por D. João.

Editor clássico

O WordPress vem, já há alguns anos e muitas versões, com um editor de texto chamado TinyMCE. Na verdade é uma adaptação do TinyMCE, com menos funcionalidades, mas permite a edição no modo WYSIWYG (What You See Is What You Get, ou editor visual na tradução livre). É o que chamamos para o cliente de funcionalidades tipo Microsoft Word.

Outras sistemas de gerenciamento de conteúdo possuem ferramentas de publicação mais modernas, fáceis de usar, que funcionam como um website builder. Já o editor do WordPress, não permitia uma variação muito grande de conteúdo, o máximo que conseguimos é uma imagem alinhada à esquerda aqui, um link acolá, e não muito mais que isso.

As páginas sempre ficavam com cara de um bloco de texto. Apesar de WordPress em si permitir criar posts ricos visualmente, com imagens e mídias, você não conseguia fazer isso através do editor.

Para permitir que o usuário final tenha essas variações de tipo de conteúdo tínhamos duas opções: 

  1. Criar um tema e/ou plugin que use ferramentas para essas variações; 
  2. Usar um dos muitos plugins chamados Page Builder

Temas customizados 

Quando desenvolvemos temas partimos para a primeira opção, criando o que chamamos de módulos com tipo de conteúdo pré-definido (um bloco de texto, uma galeria, acordeons ou abas, por exemplo). Onde trabalho costumamos usar o ACF Layout da versão pro do plugin Advanced Custom Fields. Com ele o cliente pode escolher a ordem em que irá inserir estes módulos na página.

A principal desvantagem deste modelo é que você precisa de um desenvolvedor para este tema customizado, além disso ficar preso aos módulos criados. A vantagem é que temos a liberdade de criar páginas diferentes com módulos que sempre respeitarão a linguagem visual do site. Além disso a interface de edição não é WYSIWYG.

O ACF nada mais é do que uma interface para a criação de campos customizados (custom fields), mas podemos usar os campos customizados sem o ACF para atingir o mesmo objetivo. Só teremos um pouco mais de trabalho.

Outra alteranativa são os shortcodes, pequenos trechos de códigos inseridos no editor entre colchetes ([]). Esses códigos podem ter parâmetros, atributos ou conteúdo, o que aumenta a complexidade de uso. Além disso, também é necessário um desenvolvedor para criá-los.

Page Builders 

A segunda opção que temos é o uso de plugins chamados page builders. Esses plugins permitem que uma pessoa sem nenhum conhecimento de programação ou design monte sua página com muita liberdade, utilizando módulos em uma interface de arrastar e soltar (drag and drop). Apesar de ser uma interface mais fácil de usar que os shortcodes, as opções costumam ser muitas, tornando o uso complexo.

Tela de edição de uma página no Beaver Builder
Tela do plugin Beaver Builder

Estes plugins nada mais são que interfaces para shortcodes que são inseridos nas páginas. Desenvolvedores em geral têm uma certa implicância com os page builders; afirmam que aumenta a complexidade e diminui a performance dos sites.

Os page builders são em teoria os mais ameaçados pelo Gutenberg, já que a funcionalidade de módulos e a interface de arrastar e soltar passará a vir de fábrica no WordPress. Porém, ainda é cedo pra saber se realmente estarão em perigo ou se conseguirão se adaptar para a nova realidade.

Usando Gutenberg 

 Seu objetivo é fazer com que a edição de posts e páginas do WordPress seja mais fácil e intuitiva, usando módulos chamados de blocos, com opções avançadas e variadas de layout. Assim será possível construir layouts mais complexos diretamente, sem as ferramentas que usamos hoje, como plugins, campos customizados e shortcodes. 

“Gutenberg é um passo adiante para o WordPress. Gutenberg permite que se construa layouts com o WordPress, não apenas artigos. É uma das muitas transições que ocorrem hoje no WordPress em direção a uma experiência mais simples para o usuário.”

Zack Katz, speaking at WordCamp Denver 2017

Blocos 

Com o Gutenberg, os posts e páginas passam a ser coleções blocos. Como explicou Matias Ventura (https://matiasventura.com/post/gutenberg-or-the-ship-of-theseus/), estes blocos possuem um estado padrão que serve de instrução para o usuário, fazendo com que o uso seja mais intuitivo. 

Um campo de busca permite que o usuário pesquise por blocos, e caso necessário serão sugeridos plugins que ofereçam a funcionalidade que ele deseja. 

Diálogo de novo bloco do Gutenberg
Diálogo de inserção de novo bloco do Gutenberg

Os posts são armazenados normalmente; o que define os blocos são comentários HTML que só são visíveis no backend. Essa estrutura HTML permite que o site não quebre sem o Gutenberg, ao invés do que ocorre quando desinstalamos um plugin do tipo page builder. Além disso a estruturação de blocos permite a retrocompatibilidade: os Posts e Páginas irão funcionar em versões anteriores, podendo apenas perder recursos mais avançados.

Cada bloco é uma unidade, permitindo uma colaboração maior. Sendo assim, dois usuários poderão editar um mesmo artigo ao mesmo tempo.  O bloqueio não funcionará nos posts, mas nos blocos editados.

Prós e contras

Como tudo na vida, há os dois lados da moeda. Vejamos as principais vantagens e desvantagens de usar o Gutenberg. Comecemos com as vantagens:

  • Interface mais intuitiva (ao menos para iniciantes);
  • O conteúdo que está sendo editado é mais próximo possível do que será publicado;
  • padroniza a customização do conteúdo, eliminando gambiarras;
  • Possibilidade de customização de conteúdo em uma interface única, melhorando a experiência do usuário.

Veja agora as principais desvantagens:

  • A interface pode ter uma cuva de aprendizado mais íngreme, principalmente para quem já está acostumado com a maneira antiga;
  • Grande possibilidade de conflitos e bugs com temas e plugins que não são atualizados com frequência;
  • Foram levantadas algumas questões de que a ferramenta precisa de melhorias, principalmente na parte de acessibilidade, antes de seu lançamento.

Recepção

Classificação do plugin Gutenberg no repositório de plugins
Classificação do plugin Gutenberg no repositório

A recepção do Gutenberg pela comunidade tem sido bem dividida, com uma avaliação de 2,5 estrelas no repositório (e uma enxurrada de avaliações com apenas uma estrela).

A maioria esmagadora das resenhas de uma estrela pedem para que o novo editor seja mantido como um plugin.

As resenhas de duas ou três estrelas em geral afirmam que a ideia é boa e alinhada com o futuro, mas que ainda precisa de melhoras e não está pronto para o lançamento.

Outras questões apresentadas são a compatibilidade com versões anteriores de plugins e temas. O WordPress sempre foi leniente com esta compatibilidade retroativa (backwards compatibility). Não se sabe como será essa transição, se haverá muitos sites quebrando ou não.

O pessoal que está dando 4 ou 5 estrelas em suas resenhas continua apontando algumas questões, problemas e dificuldades. Em geral estas resenhas elogiam a facilidade de uso e o passo na direção certa.

Classic Editor

Para quem está preocupado e não quer usar o Gutenberg, o editor clássico estará disponível como um plugin chamado, claro, Classic Editor. O suporte para este plugin está garantido até pelo menos o final de 2021.

Drupal

Uma comunidade que ficou muito interessada no Gutenberg foi a do Drupal. Alguns desenvolvedores do CMS concorrente do WordPress apresentaram uma versão beta do novo editor de texto no Drupal que foi muito bem recebida. O time apresentou ainda Gutenberg Cloud, um projeto de um portal agregador de blocos que funcionarão para os dois CMS, WordPress e Drupal.

Acessibilidade

Acessibilidade tem sido uma preocupação desde o anúncio do plugin. No começo do mês, a líder de acessibilidade renunciou de sua posição por conta das dificuldades do projeto. Como são usadas tecnologias novas, como o framework de javascript React, não havia muitos profissionais experientes em acessibilidade trabalhando no projeto.

Uma publicação recente da equipe garantiu esforços para resolver problemas de acessibilidade. Além disso,  vários tickets referentes à acessibilidade foram sendo fechados nas últimas semanas.

Conclusão

Gutenberg é uma mudança radical para o WordPress. Como tal, vem sofrendo muita resistência e dificuldade por parte de quem está acostumado com o editor antigo. Devemos nos acostumar e nos adaptar com o novo editor, seja no lançamento ou aos poucos, com o plugin Classic Editor.

Na minha opinião é uma mudança positiva, ainda que possa ser um pouco preocupante no início. Mas às vezes uma sacudida dessas nos faz sair do conforto e dar grandes passos adiante.

Os theme builders surgiram por uma necessidade real dos usuários em customizarem o texto com mais liberdade na estrutura. Porém, com inúmeros page builders, havia uma falta de padronização. É aí que o Gutenberg chega em boa hora, trazendo essa padronização necessária, fazendo com que não fiquemos reféns de um ou outro plugin.

Pra quem ainda não está pronto, o editor clássico ainda é uma saída.

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